O Drama da Criança Bem-Dotada: Quando Ser Talentosa Também Pode Ferir

Existe um tipo de sofrimento que quase ninguém reconhece como sofrimento, porque ele vem disfarçado de competência. É a mulher que sempre deu conta de tudo, a “bem-dotada” — inteligente, talentosa, madura além da idade. É sobre essa mulher que a psicanalista suíça Alice Miller escreveu O Drama da Criança Bem-Dotada.

O dom que tem um preço

Todos nós nascemos com sensibilidade para uma vida emocional equilibrada. Mas, na infância, muitos aprendemos a esconder nossos próprios sentimentos e necessidades para corresponder às expectativas dos pais — e assim garantir o amor deles. Miller chama esse talento de adaptação de um “dom”: e todo dom mal utilizado tem um custo, a supressão do próprio eu.

A pedagogia que exige silêncio emocional

Miller relaciona esse fenômeno ao que chama de “pedagogia venenosa”: um modelo educativo que valoriza o desempenho e a obediência acima do direito de a criança sentir o que sente. Diante disso, a criança sensível tem duas opções: insistir em ser quem é e arriscar a desaprovação, ou se adaptar e garantir o vínculo.

O verdadeiro eu que fica esperando

A pessoa aprende a performar tão bem o que os outros esperam dela que, adulta, muitas vezes não sabe mais dizer o que ela mesma sente, quer ou precisa. Por fora, parece extraordinariamente competente. Por dentro, carrega a sensação de que ninguém a conhece de verdade.

A conexão com a autossabotagem

Se o valor de alguém sempre esteve condicionado a corresponder à expectativa de outra pessoa — nunca a simplesmente existir e ser suficiente — o sucesso pode inconscientemente ativar o medo mais antigo: e se, ao brilhar por mim mesma, eu deixar de ser aceita?

O caminho para recuperar o verdadeiro eu

Miller argumenta que reconhecer essas estratégias de adaptação precoce, dar nome à dor que foi silenciada e permitir que os próprios sentimentos voltem a ter espaço são os passos para recuperar o verdadeiro eu.

Se você reconhece em si a mulher que sempre deu conta de tudo — mas nunca teve certeza de que seria amada sem isso —, esse é exatamente o território que trabalhamos no Protocolo Resgate Original.

Referências

MILLER, Alice. O drama da criança bem-dotada: como os pais podem formar (e deformar) a vida emocional dos filhos. São Paulo: Summus Editorial, 1997.

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Quem escreve

Ines Martins

Sou Ines Martins, terapeuta, hipnoterapeuta e fundadora do Instituto Identidade Original. Em 26 anos de atendimento e mais de 30 formações, desenvolvi uma metodologia autoral baseada nos 7 padrões de distorção de identidade.

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Toda transformação começa com uma decisão.

Você não precisa mudar quem você é. Precisa se lembrar de quem sempre foi.

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